terça-feira, 30 de agosto de 2011

Recordando um Companheiro

Por volta da meia-noite,  chegava eu ao BIA vindo da Cidade e encontrei na Porta de Armas o  saudoso Alferes Lopes que estava de Oficial de dia ao Batalhão, que logo questionou o que eu andava por ali a fazer aquela hora, é evidente que ele apenas queria conversar, matando assim algum tempo. Acompanhei-o até ao seu gabinete (o Oficial de Dia tinha gabinete exclusivo) onde me mantive cavaqueando, até chegar a hora da ronda. Convidou-me a acompanha-los, havia mais o Sargento e o Cabo de Dia, o condutor foi dispensado porque a viatura de serviço seria o seu Ford Escort 1300. Não recordo qual o percurso dos postos por que tinha de passar, sei que só houve uma única paragem num só posto, foi na Estalagem Leão  um bar/restaurante que acho funcionava toda a noite, ficava á esquerda no sentido de Luanda. Aqui chegados e á sua ordem, todo o equipamento bélico e os braçais foram depositados no porta bagagens do Ford. O nosso propósito era tomar um fino, mas, eram servidos acompanhados de camarão com bastante picante, o que obrigava a tomar outro, outro e outro, até perder a conta. Chegados ao BIA, o Alferes Lopes promoveu-me a oficial colocando-me nos ombros os seus galões e o braçal de Oficial de dia, ele passou a ser soldado. Na altura, estava a ser dada uma recruta a naturais de Angola, que tiravam especialidades de padeiros, cozinheiros, magarefes, etc. e a ideia era entrar na sua caserna, acender a luz e pô-los todos a pé, o que veio a  acontecer, pois quando eles viram os galões e o braçal vermelho e ouviram a ordem de: “tá a levantar e de pé junto á cama” foi um caos, uns ficaram logo no sitio, mas outros, ensonados nem sabiam o que fazer, enfim, que nos desculpem mas divertimo-nos com a brincadeira. Conto esta história para recordar o Alferes Lopes e deixar expresso, que ele era um bom companheiro e um amigo dos soldados que infelizmente   nos deixou há cerca de dez anos.     

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